Não sei o que me aconteceu. Talvez eu estivesse a precisar de uma grande viagem, talvez eu nunca tenha partido ou talvez eu ainda não tenha chegado. O importante é que algo se moveu, ainda que não esteja certo que o movimento tenha sido meu ou, pela relatividade das coisas, algo se tenha movido em relação a mim. Algo aconteceu e eu não sei o que foi, se já passou ou foi tudo um engodo de alguém — mas eu não sei quem.
Olhando para as datas, apercebi-me que fiz uma única publicação em 2017 e nenhuma em 2018. Às portas de 2020, não sei porquê ou por quem, vejo-me a datilografar ofegante numa tentativa vã de impedir 2019 tornar-se um novo 2018. Antes disso, era bastante prolífero. Talvez a chama se tenha apagado de vez e não haja mais pavio por onde se pegar.
Na morte de tudo, eu tento ressuscitar algo. Porventura, quem sabe, apenas para falecer novamente. Há partes em mim que parecem ter-me fugido, deixando outras no seu lugar. Gostava de manter todas, perder nenhumas, mas parece-me que é pedir demais deste mundo defeituoso.
E neste devaneio incrédulo, esqueci-me do essencial. A série de fotografias que capturei com um iPhone 8 na viagem de família à Suíça, ali algures em Abril deste ano. Ainda que tenha levado comigo o arsenal pesado completo, acabei por gostar mais desta pequena série que capturei com a minha câmara de bolso. Essências, momentos e (falta de) emoções.